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21/1/2005 SÃO PAULO - Para quem negocia constantemente na bolsa, ou mesmo transaciona menos, mas gosta de aproveitar oportunidades de ganhos de curtíssimo prazo, as operações de day trade, ou seja, compra e venda de ativos no mesmo pregão, podem aparecer como uma alternativa interessante.

O princípio é simples: você compra um papel e, apostando que ele se valorize ainda no mesmo dia, vende sua posição no mesmo pregão, fechando o dia com a posição zerada. Embora exista também a modalidade inversa, ou seja, vender primeiro para comprar depois, ela é pouco executada por investidores de varejo.

Operação envolve risco de crédito

A maior diferença em relação a uma operação tradicional é que ela envolve risco de crédito, o que acaba levando algumas corretoras a criarem entraves para esta operação. O risco surge em alguns casos, pois a ação comprada pode cair e gerar perdas aos investidores.

Vamos imaginar o caso onde o investidor compra o papel a R$ 10,00 no início do pregão mas, por um algum motivo, o preço despenca para R$ 5,00 e ele decide vender. Imaginando que a compra foi de mil ações, o investidor teria perdido R$ 5 mil na operação. A questão é saber se ele pode honrar esta perda com a corretora, que, por sua vez, honrará com a bolsa.

Em uma operação tradicional, quando o investidor compra o papel e não vende até a liqüidação financeira, que ocorre após três dias, este risco não existe para as corretoras. Deste modo, as corretoras não correm risco, o que é diferente no caso de operações de day trade, tornando necessárias algumas medidas de precaução.

Limites de crédito e autorizações

Para facilitar este processo, boa parte das corretoras adota o princípio de limite por cliente, ou seja, o cliente pode realizar operações que gerem risco de crédito para a corretora, desde que este risco fique dentro de limites pré-determinados. Este limite varia bastante, dependendo de variáveis como volume e histórico de transações, tempo de relacionamento e outros.

Deste modo, vale a pena sempre checar a viabilidade de realizar operações de day trade com sua corretora, antes de se entusiasmar e começar a usar esta estratégia.

Comissões e impostos

Embora não haja diferença nas comissões cobradas neste tipo de operação, existem diferenças nas alíquotas e na forma de arrecadação de impostos devidos nas transações de day trade. Apesar da alíquota de IR ter sido reduzida paras as operações em bolsas para 15% a partir de janeiro de 2005, o mesmo não ocorreu em relação às operações de day trade, que seguem sendo tributadas a 20%.

Vale lembrar que, também a partir de janeiro de 2005, tem ocorrido a incidência de imposto de renda na fonte, à alíquota de 0,005%, para operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, com exceção exatamente das operações de day trade. Isso ocorre pois, mesmo antes da nova legislação, as operações desta natureza já eram sujeitas à cobrança de 1%.

Esta cobrança de 1% nas operações de day trade, no entanto, não implica em uma cobrança maior, já que ela é descontada da alíquota de 20% que deve ser recolhida para ganhos em bolsa. Vale lembrar que estão isentos do imposto de renda os ganhos líquidos de pessoas físicas em operações no mercado à vista de ações, cujo valor das vendas realizadas em cada mês seja igual ou inferior a R$ 20 mil, para o conjunto de ações.

Cabe destacar também que as perdas em operações de day trade, no que diz respeito a impostos, somente serão compensadas com ganhos auferidos em operações da mesma espécie (day trade).
20/1/2005 SÃO PAULO - Juntar R$ 1 milhão é um sonho de muita gente. Porém, se você não tem paciência para esperar, ou não consegue poupar nada no final do mês e não está disposto ao sacrifício envolvido neste tipo de estratégia financeira, então sua melhor chance de alcançar este objetivo é jogando na Mega Sena.

Mas, se você está disposto a mudar a sua vida financeira, deixando para trás as dores de cabeça que o mau gerenciamento das contas lhe traz, então vale a pena levar em consideração os tópicos abaixo, antes de usar a nossa calculadora.

Quanto você pode poupar por mês?

Esta é uma pergunta importante, mas de difícil resposta. A maioria de nós ainda não consegue poupar nada no final do mês, mas se você não fizer um esforço de poupar ao menos 10% daquilo que ganha, então, provavelmente, não conseguirá alcançar seu objetivo, pelo menos não pelo planejamento financeiro.

Não se esqueça do mais importante na hora de investir: consistência. Ou seja, nada de investir uma quantia elevada no final do ano, para depois sacar tudo no início do ano quando as contas se acumulam. Aproveite para rever esta meta de poupança para cima sempre que a sua situação financeira permitir.

Uma estratégia mais eficiente é separar as quantias que acredita irá precisar para pagar as contas em aplicações de curto prazo, e o restante em aplicações de prazo mais longo, que permitam a adoção de uma alíquota mais baixa de imposto de renda.

Onde investir o dinheiro poupado?

Se sua intenção é alcançar um objetivo de investimento ambicioso como este, o ideal é que mantenha um certo conservadorismo na hora de investir, sobretudo no início, quanto ainda estiver começando o seu pé de meia. É bem verdade que estamos falando de investimento de longo prazo, o que permite assumir riscos um pouco maiores, mas a grande dificuldade é que você precisa se manter motivado e não preocupado.

E aplicar o dinheiro que apenas começou a poupar em investimentos muito voláteis, ou seja, cujo preço oscila muito, pode fazer com que você fique nervoso e tome uma atitude precipitada com relação a sua estratégia de investimento. Portanto, no início opte pela renda fixa, pelo menos até ter acumulado uma quantia um pouco mais elevada, que permita o direcionamento dos recursos para aplicações mais agressivas, como os fundos de ações, por exemplo.

A decisão de quanto é preciso acumular para se adotar uma postura mais agressiva de investimento varia de pessoa para pessoa, mas em geral para os mais conservadores, a partir do momento em que tiver acumulado algo como R$ 100 mil em renda fixa, você já pode começar a diversificar.

Que tipo de retorno posso esperar?

Mantenha os pés no chão, não é porque o mercado de ações subiu 5% em um mês que você pode esperar que este retorno vai ser alcançado sempre. Na verdade este é o grande risco e, para alguns, o atrativo da renda variável, pois em alguns meses você pode ganhar muito dinheiro, mas em outros pode ver tudo aquilo que acumulou virar pó.

Que investiu na bolsa no início de 2003 e manteve a aplicação durante todo o ano ganhou muito dinheiro já que o Ibovespa rendeu quase 100%. Porém, no ano passado, o rendimento do Ibovespa foi menor e ficou bastante próximo daquele registrado pelas aplicações em renda fixa. Exatamente por isso, ao estimar o retorno de longo prazo das suas aplicações, é mais recomendável usar a renda fixa como parâmetro para o cálculo do retorno médio.

Mas, não se esqueça que se os fundos DI renderam em média 15,5% ao ano em 2004, não foi essa a quantia depositada na sua conta, e sim este mesmo retorno descontado de imposto de renda. Aqui chegamos a um ponto importante da nossa discussão, quanto você terá que pagar de imposto de renda.

Como a intenção não é sacar o dinheiro, mas mantê-lo investido, então sob as regras atuais você terá acesso a uma alíquota de 15%, isso se investir através dos fundos de longo prazo, ou seja, cuja carteira tem títulos com prazo superior a 365 dias. Assumindo que os fundos irão render em média o mesmo neste ano, isso equivale a um retorno líquido, ou seja, após imposto de cerca 13%.

Não se esqueça da inflação

Porém, não podemos esquecer que R$ 1 milhão hoje lhe permite comprar bens que daqui a cinco anos, devido ao aumento dos preços, ou seja, da inflação, você não irá mais conseguir. Mas, como saber qual será a inflação nos próximos anos de forma a incluí-la no seu planejamento?

Uma forma alternativa e eficiente é a de considerar a correção do dinheiro que acumular não só com base nos juros após imposto, mas também depois de descontada a inflação. Antes de discutir que tipo de hipótese você deve usar em sua simulação, vamos analisar um pouco mais que tipo de retorno em termos reais os fundos DI têm pagado nos últimos 12 meses, e quais as perspectivas para o futuro.

Considerando que o retorno após imposto foi de cerca 13% ao ano, e que a inflação oficial medida pelo IPCA foi de 7,4% isso equivale a um retorno líquido real de 5,2% ao ano. Para 2005, a expectativa é que os juros nominais fiquem aproximadamente no mesmo patamar, já que ao contrário do que ocorreu no ano passado eles devem começar mais altos para depois cair, enquanto a inflação deve baixar para algo como 6% ao ano. Neste contexto pode-se esperar que o juro líquido real seja de 6,5% ao ano.

Porém, projetar um retorno desta magnitude é excessivamente otimista, de forma que o mais prudente é projetar que os juros reais devem ficar ao redor de 5% ao ano.

Simulando o seu caso

Como era de se esperar, quanto mais você poupar, mais rápido irá alcançar seu objetivo. Assim, usando nossa calculadora você pode incluir a sua capacidade de poupança mensal, aquela que acredita conseguirá poupar de maneira consistente, e que se for revista será somente para cima, porque você passou a ganhar mais.

Feito isso assumindo que seu retorno líquido real seja de 5% ao ano isso equivale a um retorno mensal de apenas 0,40%. Neste caso, se poupar todos os meses R$ 3 mil, assim mesmo irá precisar de 213 meses para acumular o equivalente a R$ 1 milhão em dinheiro de hoje. Mas, se você só quiser o título de milionário e não se importar tanto que daqui a alguns anos esta quantia irá valer menos, então basta simular a poupança tomando como base o retorno líquido, ou seja, depois do pagamento de imposto, que é bem maior, de 1% ao mês. Neste caso poupando a mesma quantia você alcançará R$ 1 milhão cinco anos e meio antes.

O exercício não tem como objetivo desanimá-lo no processo de alcançar o seu R$ 1 milhão, mas simplesmente ilustrar que o alcance deste objetivo pode ser bastante difícil, e para isso, não existe melhor receita do que investir em você mesmo, na sua formação e educação. Estas são as ferramentas necessárias para garantir o crescimento profissional que você precisa para que consiga acumular este patrimônio.

Na hora de alocar o seu orçamento direcione uma parcela maior a despesas que visam investimento, pois mesmo reduzindo a sua capacidade de poupança mensal, elas podem no futuro lhe trazer um retorno muito acima daquele que se pode esperar no mercado financeiro. Para entender que tipo de despesas são essas clique aqui.
18/1/2005 SÃO PAULO - Como já discutimos outras vezes, a decisão de onde investir é função de muitas variáveis, dentre elas seu apetite pelo risco; mas há outras considerações a fazer como, por exemplo, o quanto você já acumulou.

Como regra geral, recomendamos que cerca de 60% a 80% das suas economias sejam direcionadas a aplicações cujo objetivo principal é a manutenção do seu patrimônio, com o restante sendo direcionado ao aumento dos ganhos no médio e longo prazo de suas economias.

Quanto mais dinheiro você já acumulou, ou mais agressivo você é como investidor, a parcela direcionada ao aumento dos ganhos de médio e longo prazo das suas economias pode ser maior. Por outro lado, se você ainda não acumulou o suficiente, ou é excessivamente conservador, a parcela destinada à preservação do patrimônio deve ser maior.

Conservadorismo no curto prazo

Boa parte dos investidores não sabe se é mais correto investir em ativos mais arriscados, visando obter ganhos mais elevados no longo prazo, ou se é preferível manter a prudência, dando preferência para aplicações mais conservadoras.

Em geral no curto prazo a recomendação é adotar uma postura moderada de investimento, de forma a garantir a manutenção ou aumento das suas economias, sem correr riscos desnecessários, ao mesmo tempo em que mantém a liquidez das suas aplicações. Entretanto, a decisão final só deve ser tomada depois de analisar o seu perfil como investidor. Afinal, cada um reage de forma diferente ao risco, já que o que para alguns é um momento de pânico, para outros pode representar uma oportunidade irrecusável.

Antes de tudo, procure descobrir primeiro qual seu perfil de risco antes de tomar decisões com seus investimentos, para evitar arrependimentos futuros. Qualquer que seja a resposta nunca haja de forma precipitada, especialmente em época de crise!

Perfil conservador

Com tolerância ao risco relativamente baixa, você é daqueles que se desespera com as recentes quedas da bolsa, e, se tivesse investido em ações, retiraria todo montante investido e juraria nunca mais voltar a investir em ações. Investidores com este perfil buscam na maior parte das vezes preservar seu patrimônio, por isso recomendamos aplicações que mantenham seu patrimônio protegido das perdas com a inflação.

Com este objetivo em mente, a parcela direcionada a preservação do patrimônio deve ser mais alta, podendo chegar até 90%, de forma a privilegiar investimentos de baixo risco, como os fundos referenciados, ao DI ou ao IGP-M, ou fundos de renda fixa, optando pelas modalidades que não usem alavancagem. A poupança também pode ser uma boa opção para quem investe pequenas quantias, por menos de três meses, pois não há cobrança de taxas ou impostos.

Apesar da forte volatilidade a que estão sujeitos, os fundos cambiais são vistos como de baixo risco porque permitem a preservação do seu patrimônio em dólar, o que para muitos investidores conservadores é prioridade. Por último, lembre-se: as palavras renda variável e alavancagem em geral significam incorrer em maiores riscos, logo por mais que você acredite que o dólar esteja "barato" não vale a pena investir nestes fundos se você é conservador e não pretende incorrer em despesas em dólar!

Perfil moderado

Com alguma tolerância ao risco, esse é o tipo de investidor que se preocupou com a queda da bolsa, e atualmente considera a possibilidade de redirecionar suas aplicações para outro tipo de fundo, mas nem por isso retirou todo o dinheiro aplicado em ações.

Para este investidor, nossa recomendação é que a parcela destinada à manutenção do patrimônio seja menor (cerca de 80%) e se direcione aos fundos referenciados DI ou de curto prazo, dependendo do período em que pretende manter o dinheiro aplicado. O restante pode ser aplicado em fundos multimercados com/sem renda variável, ou em fundos de ações que não incluam alavancagem.

O investimento em fundos multimercados permite que você diversifique suas economias, sem ter que aplicar em vários fundos simultaneamente. Se você concorda que nos níveis atuais a bolsa é uma boa opção de investimento no longo prazo, prefira os multimercados com renda variável ou os fundos de ações sem alavancagem, caso contrário fique com os multimercados sem renda variável. O moderado deve tomar cuidado com fundos da subcategoria alavancados, pois eles costumam ser mais arriscados que os outros de sua categoria.

Perfil Agressivo

Em geral, trata-se do investidor mais experiente, que conhece melhor os mecanismos de mercado, e, portanto, optou por não retirar seus investimentos em ações, mesmo com a queda dos últimos dias. Na verdade, este investidor possivelmente aproveitaria o momento de preços baixos para comprar ainda mais.

Com grande tolerância ao risco, sugerimos que a parcela direcionada ao aumento dos ganhos no médio-longo prazo pode ser relativamente maior (até 30%) que aquela direcionada para os moderados e conservadores. Para esta parcela de suas economias dê preferência para os fundos de ações que adotam uma estratégia ativa de gerenciamento da carteira e/ou os fundos multimercados com renda variável. Também é possível optar pelas subcategorias destes fundos que incluem alavancagem.

Os fundos de renda fixa com alavancagem, assim como os multimercados sem renda variável e com alavancagem podem ser boas opções para quem quer reduzir a exposição ao mercado acionário, mas quer manter um perfil agressivo no investimento em renda fixa.

Se depois de ler este artigo você ainda não sabe bem que tipo de investidor você é, recomendamos que aproveite a oportunidade para usar nossa ferramenta de Perfil do Investidor, na seção de Iniciantes, que ajuda você a melhor direcionar suas aplicações financeiras.
14/1/2005 SÃO PAULO - A segunda semana de janeiro foi marcada pela divulgação que a inflação medida pelo IPCA ficou acima do esperado, além da forte volatilidade no mercado de petróleo e também no mercado de câmbio internacional, com perspectivas divergentes com relação ao rumo da economia norte-americana.

Por outro lado, com o anúncio de melhora da perspectiva do rating em moeda estrangeira do Brasil, o mercado, de uma maneira geral, apresentou um desempenho estável. A bolsa registrou leve alta, os juros futuros e o risco país subiram e o dólar encerrou a semana em queda.

No cenário doméstico, destaque para inflação

Foi divulgada nesta semana a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) para janeiro. Neste período, foi registrada uma inflação de 0,20%, frente à variação positiva de 0,62% apurada na primeira medição de dezembro. Também foi divulgado o IPC-Fipe, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. No período, o indicador apurou uma inflação de 0,68%, levemente acima da variação de 0,67% registrada no mês fechado de dezembro.

O grande destaque, entretanto ficou por conta da divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor - Amplo), divulgado na manhã de sexta-feira, dia 14 de janeiro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apresentou forte aceleração em dezembro.

IPCA acelerou e subiu acima do esperado

No período, o IPCA apresentou uma variação positiva de 0,86%, acima da inflação medida em novembro, quando o indicador apontou alta de 0,69% nos preços. A variação foi maior do que a esperada pelo mercado, já que o Relatório Focus, do Banco Central, projetava alta de 0,75% no período.

Com este resultado, no ano de 2004, o IPCA acumulou alta de 7,60%, abaixo da variação de 9,30% relativa ao índice de 2003. De acordo com o Focus, para 2004 o mercado projetava uma alta de 7,48% nos preços. A aceleração acima do esperado do índice trouxe cautela, especialmente devido à aproximação da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.

De acordo com o Focus, o mercado aguarda uma elevação de 0,50 ponto percentual na Selic, já que projeta a taxa, segundo a mediana das projeções, em 18,25% ao ano no final de janeiro. A redução da mediana das projeções para o IPCA de 2005, revelada nesta semana, que passou de 5,70% para 5,67%, não foi suficiente para reduzir as perspectivas para a Selic.

Por outro lado, vale destacar que a produção industrial apresentou queda em relação a novembro, de 0,4% em relação a outubro, confirmando a tendência de desaceleração da economia brasileira apesar de ter apresentado crescimento de 8,1% em relação a novembro de 2003.

Também nesta semana, a agência da classificação de risco Moody´s elevou o rating da dívida em moeda estrangeira brasileira, de estável para positivo. De acordo com o comunicado da agência, a redução da proporção entre a dívida e o saldo de transações correntes, além da redução da parcela da dívida atrelada à moeda estrangeira e do forte desempenho da balança comercial, levaram à elevação da classificação, com o Brasil ficando a apenas quatro degraus do investment grade.

No cenário externo, economia dos EUA em foco

No cenário externo, a economia norte-americana e o comportamento do dólar seguiram em foco, já que o resultado da balança comercial norte-americana decepcionou, apresentando um déficit de US$ 60,3 bilhões, bastante acima do esperado pelo mercado. Por outro lado, o déficit orçamentário diminuiu, tendo sido de US$ 3,4 bilhões em dezembro.

Além disso, na sexta-feira, o presidente George W. Bush manifestou preocupações com relação ao rumo do dólar e que deve implementar medidas para a redução dos déficits e um membro do banco central norte-americano sinalizou que caso necessário, o Federal Reserve, poderia abandonar o "ritmo gradual" na condução da taxa básica de juro do país.

Com isso, a semana foi marcada por forte volatilidade no mercado de câmbio internacional. Também foi marcada por volatilidade a semana no mercado de petróleo. A cotação do barril, subiu forte nesta semana, com o mercado atento às previsões de inverno mais rigoroso, o que deve levar a um maior consumo de óleo de aquecimento.

Assim, em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 48,38, o que representa uma alta de 6,49% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 45,25. Se por um lado a alta do petróleo traz temor de maior inflação no futuro, por outro lado, justamente devido à queda recente dos preços do item energia, o índice de preços no atacado norte-americano (PPI) apresentou queda de 0,7%, enquanto o mercado aguardava uma queda de 0,2%.

Apreensão com rumo da taxa básica do país

O Core PPI, que exclui os itens energia e alimentos, apresentou uma inflação de 0,1%, abaixo da inflação esperada de 0,2%. Apesar da surpresa, o ritmo de elevações da taxa básica de juro dependerá bastante do comportamento do petróleo, cuja queda anterior foi uma das principais responsáveis para a deflação apontada pelo índice de preços no atacado.

O desempenho da economia também deve exercer forte influência. Neste sentido, foi divulgado o indicador que mede as vendas no varejo, que subiram 1,2%, enquanto o mercado esperava uma alta de 1,1% e o indicador anterior havia subido 0,1%. O indicador que exclui as vendas de automóveis, por outro lado, subiu 0,3%, enquanto o mercado esperava uma alta de 0,4%.

Dólar e juros futuros subiram na semana

O dólar comercial, mesmo com novas intervenções do Banco Central, encerrou a semana em leve queda de 0,41%, cotado a R$ 2,701 no fechamento de sexta-feira.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,20% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,09% na semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,09%, também configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 18,02%.

O Ibovespa, por sua vez, refletiu a melhor perspectiva dos investidores, principalmente após a decisão da Moody´s. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou leve alta de 0,71% na semana, encerrando a 24.924 pontos.

Próxima semana: reunião do Copom em destaque

Na próxima semana, o grande destaque deve ficar por conta da reunião do Copom, que terá início na terça-feira. A decisão com relação ao rumo da taxa Selic será anunciada na próxima quarta-feira, após a segunda reunião. O mercado aguarda uma elevação da Selic em 50 pontos base, para 18,25% ao ano.
11/1/2005 SÃO PAULO - Nas últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), que é o colegiado do Banco Central responsável pela política de taxa de juro, parte da política monetária no Brasil, a taxa Selic vem sendo elevada com a justificativa de que é preciso controlar a inflação.

A Selic é a taxa de juro básica da economia brasileira e é com base nela que o governo, os bancos e as empresas trabalham. Ela serve de parâmetro para captação e custo do dinheiro e, por isso, é um dos principais fatores que dita também o custo dos empréstimos.

Depois de sucessivos cortes que fizeram com que a taxa Selic baixasse de 26,5% ao ano em maio de 2003 para 16% ao ano em agosto de 2004, alegando estar preocupado com o aumento da inflação, o Copom optou por sucessivas elevações da Selic de forma que no último dia 15 de dezembro a taxa alcançou o patamar de 17,75% ao ano, o maior nível verificado em 2004.

Como elevação dos juros controla inflação?

Para quem não está familiarizado com o assunto fica a dúvida de como o aumento dos juros pode efetivamente reduzir o ritmo de elevação dos preços, ou seja, a inflação. Ao elevar os juros o Copom acredita poder conter a inflação de demanda, ou seja, o aumento dos preços causado pelo excesso de consumo.

A idéia básica é restringir o consumo através do encarecimento dos empréstimos. O mecanismo é simples, como a Selic é usada como referência na determinação dos juros cobrados aos consumidores e empresas, sua elevação acaba acarretando um aumento nos custos de se levantar um financiamento. Diante do maior custo de empresta dinheiro, a população tende a consumir menos e, ao menos teoricamente, isso ajuda a conter a inflação.

Preços sob controle, mas economia cresce menos

Este é na verdade o grande dilema por trás dos recentes aumentos da Selic. Se de um lado a elevação da Selic assegura o maior controle da inflação, por outro acaba diminuindo o potencial de crescimento da economia.

Isso acontece porque com as taxas mais elevadas, as empresas têm que arcar com o custo mais elevado de financiar a expansão de suas atividades. Já as que têm recursos próprios podem acabar tentadas a não investir no aumento da produção, optando pela aplicação no mercado financeiro.

Se considerarmos que o aumento dos juros retrai o consumo, do ponto de vista da empresa não interessa investir no aumento da produção e na geração de novos empregos, simplesmente porque corre o risco de não ter procura para os produtos que irá produzir. Do lado do cidadão, a decisão das empresas de investir menos acaba prejudicando a geração de novos empregos.

Por que o Copom continua elevando a Selic?

Essa é uma questão bastante delicada. Existe uma corrente teórica, que é bastante respeitada e adotada pelas principais economias de mercado, que afirma que a contenção da inflação deve ser feita através de taxas de juros elevadas.

No Brasil, como os juros estão elevados, o impacto de novos aumentos no consumo é limitado, e por isso mesmo muito criticado por vários economistas preocupados com o impacto no crescimento da economia. Contudo, não se pode esquecer do aspecto político, particularmente importante em economias como a brasileira em que o Banco Central não é independente.

Como a meta principal do Banco Central é conter a inflação de forma independente, e boa parte da sua eficiência nesta tarefa depende de sua credibilidade junto ao mercado. Qualquer tipo de interferência política seja através de atitudes como comentários de outras partes do governo, que leve o mercado a duvidar do foco e da independência do Banco Central, pode provocar uma elevação dos juros. Neste contexto fica mais fácil entender o exagero e conservadorismo muitas vezes adotado pelo Copom, já que o mesmo reflete o complexo cenário político do nosso país.
5/1/2005 SÃO PAULO - Muito se tem falado nas despesas que podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, por conta do anúncio da Receita Federal de que estas parcelas seriam reajustadas em 10% a partir de 1º de janeiro de 2005, isto é, o IR para os contribuintes tende a ser reduzido sobre os rendimentos recebidos a partir deste ano.

Mas você sabe exatamente como funcionam estas deduções no cálculo do imposto de renda incidente sobre o seu rendimento todos os meses? Se você faz parte do grupo de contribuintes que ainda não são muito familiarizados com o assunto, vai descobrir que não se trata de nenhum bicho de sete cabeças.

Quem paga IR?

Em primeiro lugar, é preciso saber que os rendimentos recebidos do trabalho assalariado pagos por pessoa física ou jurídica, assim como os demais rendimentos recebidos de pessoa jurídica, estão sujeitos à tributação do IR na fonte, caso sejam superiores a R$ 1.164 no mês, isto é, a fonte pagadora já retém o valor do imposto no momento do pagamento.

E para quem não recebe salário, mas trabalha, por exemplo, como autônomo, e possui renda superior a R$ 1.164 recebida de outras pessoas físicas ou de fontes no exterior? Neste caso, o contribuinte também paga IR, mas fica responsável pelo cálculo e recolhimento mensal obrigatório do imposto sobre o rendimento através do famoso carnê-leão.

Enfim, como se beneficiar das deduções

Agora vamos às deduções. No caso do imposto de renda retido na fonte (trabalho assalariado e outros rendimentos recebidos de pessoas jurídicas), isto é, que será descontado da sua remuneração naquele mês, é possível deduzir as seguintes despesas:

  • pagamento de pensão alimentícia;

  • até R$ 117, a título de despesas com cada dependente;

  • contribuição para a Previdência Social;

  • as contribuições para entidade de previdência complementar domiciliada no Brasil e para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, cujo titular ou quotista seja trabalhador com vínculo empregatício ou administrador e seja também contribuinte do regime geral de previdência social.

    Por exemplo, de um rendimento de R$ 1.700, vamos deduzir R$ 234, valor referente a dois dependentes, e R$ 220 para a Previdência Social. A base de cálculo para o IR é R$ 1.246,00. Sobre este valor será aplicada a tabela acima, e do resultado pode-se deduzir as parcelas também constantes na última coluna da tabela. Agora, se o mesmo contribuinte do nosso exemplo tivesse mais um dependente, a base de cálculo cairia para R$ 1.129 e, portanto, passaria para a faixa de isenção do imposto.

    Já do recolhimento mensal obrigatório, ou melhor, o carnê-leão, é possível definir a base de cálculo do imposto, deduzindo pagamento de pensão alimentícia, despesas com dependentes (R$ 117 para cada um) e contribuições à Previdência Social. A diferença fica por conta das despesas escrituradas no livro caixa. Nunca ouviu este termo? Então vamos explicar.

    Assim como uma empresa deve escriturar em livros fiscais toda a sua movimentação financeira, o livro-caixa tem o mesmo papel para os trabalhadores autônomos. Desta forma, é no livro-caixa que o trabalhador irá escriturar todas as despesas e ganhos decorrentes do exercício de sua profissão como pagamento a funcionários, aluguel, telefone celular, entre outros cuja a escrituração é fundamental. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui. A forma do cálculo para os autônomos é a mesma do IR na fonte, a diferença fica por conta da obrigatoriedade de o próprio contribuinte ter que calcular o imposto, preencher a guia de pagamento e fazê-lo na rede bancária.

    Mais deduções na declaração de ajuste anual

    Vale destacar que tratamos aqui do cálculo mensal do IR e o que pode ser feito para diminuir a mordida do leão sobre o seu rendimento mensal. A legislação permite ainda outras deduções, como com despesas médicas, com educação, doações etc, que só devem ser informadas na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas.

    Acontece que você pode ter deixado de declarar algum rendimento ao longo do ano, e no momento de informar toda a sua renda na declaração de IR, poderá perceber que tem saldo de imposto a pagar, de forma que as deduções as quais nos referimos servirão para minimizar mais um peso no seu orçamento.
  • 28/12/2004 SÃO PAULO - O brasileiro é bastante conservador na hora de aplicar seu dinheiro. A grande maioria ainda prefere a segurança das aplicações em renda fixa do que se arriscar a investir em câmbio ou ações. De certa forma, esta estratégia se justifica pelo fato de que, com a taxa básica da economia em 17,75% ao ano, os juros pagos nestas aplicações seguem bastante atrativos.

    Assim, ao analisarmos o retorno ajustado pelo risco da aplicação, que neste caso é medido como a volatilidade da aplicação, as aplicações em renda fixa seguem bastante atrativas, sobretudo para quem está começando a investir agora. Por volatilidade, entenda-se o grau médio de variação da cotação de um título ou determinado mercado de subir, ou cair, intensamente em um curto período de tempo.

    Juros devem manter tendência de queda

    Ainda que nos quatro últimos meses a seqüência de cortes da taxa básica de juros tenha sido interrompida diante de novas pressões inflacionárias, a expectativa do mercado é que esta tendência seja retomada em 2005, ainda que a queda prevista seja menor do que se esperava inicialmente.

    Segundo o último relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, dia 13 de dezembro, a projeção média dos cerca de 100 analistas de mercados entrevistados é de que a Selic caia do seu patamar atual para 15,50% ao final de 2005, o que representa um recuo de 2,25 pontos percentuais.

    Decisão de migrar depende da inflação

    Temerosos de que a renda fixa não irá mais garantir retornos adequados, muitos investidores já consideram outras alternativas de investimento. Porém, este procedimento não se justifica, e uma decisão acertada de onde investir vai depender, sobretudo, do que deve acontecer com a inflação neste mesmo horizonte.

    Nesse sentido, o relatório Focus do Banco Central projeta que a inflação em 2005 varie entre 5,40% (IPC-FIPE) e 6,50% (IGP-DI). Com relação ao IPCA, que é usado no estabelecimento das metas de inflação do Governo e como medida da inflação oficial do País, a projeção para 2005 é de 5,78%.

    Por sua vez, no que refere ao ano de 2004, a projeção é de que a inflação varie entre 6,51% (IPC-FIPE) e 12,63% (IGP-M), sendo que a projeção para o IPCA é de 7,38%. Neste contexto, os analistas projetam que a taxa de juros real, ou seja, aquela depois de descontada a inflação medida pelo IPCA, deve baixar de 9,7% em 2004 para 9,2% em 2005.

    Assim sendo, por mais que haja expectativa de novos cortes dos juros, quando colocados em uma base real os mesmos não parecem significativos o suficiente, apenas meio ponto percentual de recuo, para justificar uma revisão drástica dos seus investimentos em renda fixa - que devem continuar oferecendo uma das melhores relações de retorno e risco do mercado.

    Investidor não pode ignorar inflação

    O exercício acima deixa evidente a importância de se considerar a inflação na análise dos seus investimentos. Isso porque, mais do que o retorno em termos absoluto é importante analisar quanto a aplicação está lhe pagando uma vez descontada a inflação.

    Quanto maior a inflação, menor é o seu poder aquisitivo, pois o preço dos bens se eleva, e maior deve, portanto, ser o retorno da sua aplicação, se você quiser proteger o seu patrimônio de ser mordido pela inflação.

    Porém, antes de se precipitar e migrar todo o seu dinheiro para o mercado acionário caso a inflação suba, espere para ver qual será o impacto do aumento dos preços na taxa de juros. É bem provável que, se a inflação seguir em alta, os juros voltem a subir, ou alternativamente, caiam de forma menos acentuada, o que significa que em termos reais a aplicação em renda fixa continuaria atrativa.

    Da mesma forma, antes de se desesperar com a queda nos juros, analise qual o impacto desta queda depois de descontada a inflação. Talvez o retorno ainda continue atrativo, especialmente se considerarmos que se tratam de aplicações muito mais estáveis e seguras do que as aplicações em ações ou câmbio, por exemplo.
    24/12/2004 SÃO PAULO - A terceira semana de dezembro foi marcada pela divulgação da ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que sinalizou para novas elevações na taxa básica de juro brasileira, a Selic. Ainda no cenário doméstico, foi aprovado o projeto de PPP´s (Parcerias Público-Privadas), que agora será encaminhado para sanção presidencial.

    De uma maneira geral, porém, o desempenho do mercado brasileiro foi bastante limitado. Os juros futuros dispararam, enquanto o dólar comercial acumulou queda de 0,26% e o Ibovespa subiu apenas 0,85%.

    Ata do Copom foi destaque no âmbito doméstico

    No âmbito doméstico, o destaque ficou por conta da divulgação da ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. O documento sinalizou que o processo de ajustes na Selic, a taxa básica de juro brasileira, deve ter "etapas adicionais" e deve ser seguido por um período posterior de manutenção da taxa "suficientemente longo", para assegurar a convergência da inflação e das expectativas.

    Ainda de acordo com o documento, se não houver convergência das expectativas para a inflação ou da trajetória dos preços para o objetivo adotado para 2005, de 5,1%, pode haver modificações no "ritmo e na magnitude do processo" de ajustes. Vale destacar que as elevações tiveram início devido ao temor dos efeitos da inércia inflacionária para 2005, ou seja, o temor do efeito que inflação acima da meta em 2004 deve ter sobre o comportamento dos preços no próximo ano.

    Outro destaque da semana ficou por conta da aprovação do Projeto de Parcerias Público-Privadas no Senado e na Câmara dos Deputados. Agora, o projeto de PPP´s deve seguir para sanção presidencial. A expectativa é de que o projeto consiga elevar o nível de investimentos em infra-estrutura, especialmente em áreas nas quais o capital privado normalmente não participa.

    IPCA-15, desemprego e PIB também em foco O IPCA-15, que difere do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor - Amplo) no que se refere ao período de coleta, revelou aceleração da inflação em dezembro, subindo 0,84%, frente à elevação de 0,63% nos preços medida pelo indicador de novembro. No período fechado de 2004, o índice acumulou variação positiva de 7,54%. No que se refere ao desempenho da economia brasileira, de acordo com os dados divulgados mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego atingiu 10,6% da População Economicamente Ativa (PEA) em novembro, ficando praticamente estável em relação a outubro, quando a taxa era de 10,5%.

    No que se refere ao desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), que cresceu 6,1% no terceiro trimestre como já havia sido anunciado anteriormente pelo IBGE, o instituto divulgou os dados do PIB em termos absolutos, de R$ 457,736 bilhões no período. Até o terceiro trimestre, o PIB acumulado já alcança a marca de R$ 1,289 trilhão, impulsionado pela indústria e pelo setor de serviço.

    No cenário externo, petróleo voltou a cair

    No cenário externo, foi divulgado o PIB dos EUA no terceiro trimestre, que cresceu a uma taxa anualizada de 4,0% no período, crescendo mais do que o esperado pelo mercado (+3,9%) e do que a variação do trimestre anterior (+3,9%). Ainda no que se refere ao desempenho da economia dos EUA, foram divulgados os dados que medem o consumo e a renda dos norte-americanos.

    No caso do indicador que mede o consumo, o Personal Spending registrou alta de 0,2%, resultado um pouco abaixo das expectativas de 0,3% e abaixo do índice revisado do mês anterior, que foi de 0,7%. O indicador que mede a renda dos norte-americanos, por sua vez, o Personal Income, apontou uma elevação de 0,3%, que ficou levemente acima das expectativas de 0,2% e abaixo do índice revisado do mês anterior, que mostrou expansão de 0,6%.

    O petróleo, por sua vez, encerrou a semana em forte queda. Em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 44,18, o que representa uma baixa de 4,16% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 46,10. A queda na cotação do barril deveu-se ao aumento acima do esperado dos estoques de petróleo norte-americanos em 2,1 milhões de barris, enquanto o mercado esperava queda.

    Dólar teve leve queda e juros futuros subiram forte

    O dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,30%, cotado a R$ 2,701, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,709, basicamente em função do otimismo com o cenário doméstico e dos movimentos no mercado de câmbio internacional, com o dólar caindo frente às principais moedas do mundo.

    No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de forte alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,19% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,93% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,26%, configurando um forte aumento frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,98%.

    O Ibovespa, por sua vez, encerrou a semana com alta de 0,60%. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 0,85% na semana, encerrando a 25.878 pontos.

    Na próxima semana, IGP-M e Consumer Confidence Na próxima semana, no cenário doméstico o destaque deve ficar por conta da divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) referente ao mês de dezembro, revelando também a variação anual do índice.

    No cenário externo, um dos destaques deve ficar por conta da divulgação do Consumer Confidence, que mede a confiança do consumidor norte-americano. Além disso, haverá a divulgação do Chicago PMI, que mede a produção industrial na região de Chicago.
    23/12/2004 SÃO PAULO - Recentemente discutimos as variáveis que devem ser levadas em consideração antes de se decidir pela data definitiva em que pretende se aposentar: padrão de receitas e despesas e expectativa de vida atual. Através desta análise você percebeu que ainda não acumulou o suficiente? Então não há outra saída senão rever seu plano de aposentadoria. Mas o que exatamente pode ser feito?

    O primeiro objetivo deve ser acumular uma reserva financeira maior, e isso pode ser alcançado pelo simples adiamento da data de aposentadoria. Além disso, é possível rever o orçamento para possíveis cortes que permitam um aumento da quantia que você investe todos os meses. Caso não tenha adotado um plano de poupança mensal, está na hora de incluir isso como meta no seu planejamento.

    Uma pitada de risco ao investir

    Adiar a data de aposentadoria e aumentar a poupança mensal certamente contribui para aumentar a reserva acumulada ao se aposentar. Além disso, também é possível rever a estratégia de alocação destas reservas, ou seja, a forma como estão aplicadas.

    À medida em que a data de se aposentar se aproxima, a parcela das suas reservas investida em ativos de risco deve diminuir. Afinal, existe menos espaço para volatilidade no seu orçamento. Porém, considerando que a expectativa de vida da população está aumentando, e que muito provavelmente você vai acabar vivendo mais do que imaginava, não se pode simplesmente ignorar a necessidade de fazer sua reserva financeira crescer.

    Vamos assumir, por exemplo, que você decida se aposentar aos 65 anos. Com base na última tabela de expectativa de vida por idade divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o que se verifica é que nesta idade sua expectativa de vida será de outros 17 anos, período no qual os recursos que acumulou até se aposentar deverão gerar uma renda.

    Por se tratar de um período relativamente longo durante o qual os recursos permanecerão aplicados, vale a pena direcionar ao menos 15% deles em aplicações de maior retorno no longo prazo, como os fundos de ações, por exemplo. Obviamente a parcela alocada a este tipo de investimento deve ser diminuída com o passar do tempo, e sua expectativa de vida diminui.

    Não pare tudo de uma vez

    Acima discutimos maneiras de ajustar seu plano de aposentadoria de forma a acumular mais recursos antes de se aposentar. Mas estas não são as únicas formas de ajuste. Reveja o orçamento previsto para quando se aposentar para possíveis cortes de despesas e inclusão de receitas.

    No que refere às receitas, o mais recomendável é que você não pare tudo de uma só vez. Por mais que a idéia de parar completamente de trabalhar lhe pareça atraente, passados alguns meses você perceberá que não é bem assim. Portanto, tanto do ponto de vista do seu orçamento quanto da sua saúde, busque alternativas de trabalho por tempo parcial, como consultoria.

    Manter-se ativo, ainda que por algumas horas, nos primeiros anos de sua aposentadoria facilita a transição e ajuda na composição do orçamento. Aproveite esta época para identificar outras atividades de seu interesse, para ocupar o seu tempo quando finalmente parar mesmo de trabalhar.

    Adiando o saque de alguns benefícios

    Para quem contribui para a previdência social, mas possui outras fontes de renda alternativa, o melhor é adiar ao máximo o pedido de aposentadoria. Isso porque, desde 1999, com a entrada em vigor o Fator Previdenciário, o que acontece é que quanto mais tarde você se aposenta, maior é seu benefício, portanto, quanto mais puder esperar para entrar com o pedido de aposentadoria melhor para você.

    O mesmo vale para os benefícios dos planos de previdência privada. Com as mudanças nas regras de tributação previstas para entrar em vigor a partir de janeiro de 2005, quanto mais tempo mantiver o dinheiro aplicado, menor o imposto incidente sobre o ganho. Como nos planos de previdência privada o pagamento de imposto de renda é adiado até a data de recebimento dos benefícios, quanto mais tempo você esperar para sacar estes benefícios mais a sua reserva crescerá, e conseqüentemente, maior será o benefício que poderá sacar depois.

    Você demorou uma vida toda para acumular esta reserva financeira, que deve durar por toda a sua aposentadoria. Assim, evite sacar quantias excessivas rapidamente, pois estará reduzindo o potencial de renda futura. Caso os saques visem cobrir um possível déficit orçamentário, causado pelo fato de que suas receitas são inferiores aos gastos, existem duas alternativas possíveis: buscar renda alternativa ou cortar o padrão de gastos. Sacar rapidamente as reservas não deve ser considerado como solução para este tipo de situação.

    Dê mais uma olhada nas despesas

    Outra área que merece uma revisão cuidadosa é a das despesas. Na maioria dos casos é possível efetuar alguns cortes significativos em relação ao orçamento de quando ainda não era aposentado.

    Além da casa que você pode trocar por uma menor, e conseqüentemente economizar com IPTU e manutenção, também é possível considerar a venda do segundo carro, por exemplo. Não há mais necessidade de dois carros na garagem, já que você e seu cônjuge podem coordenar melhor o uso do veículo. Além dos recursos adicionais para a reserva de aposentadoria que irá obter com a venda é possível economizar com seguro, IPVA, gasolina, etc.

    Por outro lado, talvez seja interessante rever seu plano de saúde para se assegurar que conta com uma cobertura adequada. A idéia não é, em absoluto, trocar de plano, já que isso poderia implicar em novas carências, mas sim checar a possibilidade de uma melhoria do plano de forma a garantir coberturas mais amplas. Se a cobertura extra lhe custar muito mais caro, uma alternativa é poupar uma quantia mensal, inferior ao adicional do plano, destinada a gastos com saúde.

    Se a empresa em que trabalha oferece um plano de saúde, verifique a possibilidade de mantê-lo mesmo após se aposentar. Caso isso não seja possível, verifique a possibilidade de ser incluído como dependente no plano do seu cônjuge, caso ainda permaneça na ativa e tenha direito ao plano na empresa em que trabalha, ou no plano de algum dos seus filhos.

    Porém, é preciso analisar com cuidado os custos envolvidos nesta decisão. Compare o custo de contratar um plano individual com o de ser incluído como dependente no plano de seu cônjuge ou filho. Lembre-se que as despesas médicas são integralmente dedutíveis do imposto de renda, e que se você for obrigado a entregar a declaração de IR, porque não se qualifica como dependente de ninguém, a contratação de um plano individual pode ser mais interessante.
    22/12/2004 SÃO PAULO - Com o final do ano, a maioria de nós começa a refletir sobre os acertos e erros cometidos no período. Nesta época também é comum pensar no que pode ser feito para que o próximo seja melhor que o anterior.

    Para quem pretende começar uma nova dieta, voltar à academia ou procurar um novo emprego, vale a pena refletir se não é a hora de investir na melhoria da sua educação financeira. Basta seguir à risca as regras listadas abaixo que, sem dúvida, o ano de 2005 será bastante próspero!

    Os dez mandamentos

    Os dez mandamentos têm como objetivo mudar seus hábitos financeiros, ou seja, a forma como você aborda as suas finanças pessoais. Não se assuste; o que propomos não exige mais do que organização, um pouco de planejamento e algum sacrifício pessoal.

  • Organize suas despesas por data de vencimento e pague suas contas em dia, assim você evita gastos desnecessários com multas e juros.

  • Pague sua fatura de cartão de crédito integral; quando não for possível pague ao menos o mínimo, e não incorra em mais gastos no cartão.

  • Analise com atenção seu extrato bancário, observando possíveis cobranças indevidas ou uso excessivo do cheque especial. Veja se não existe um pacote de tarifas mais baixo, que inclua apenas os serviços que você efetivamente utiliza.

  • Acumule uma reserva financeira igual ou superior a três meses de despesas correntes. Portanto, para quem gasta constantemente R$ 2 mil por mês, isso equivale a acumular ao menos R$ 6 mil.

  • Siga à risca seu planejamento orçamentário. Pense nele como se fosse uma dieta. Basta um deslize que você rapidamente acumula um quilo (ou dívidas), que depois demora semanas ou até meses para perder.

  • Mude seus hábitos de consumo e evite qualquer compra ou contratação de serviço antes de efetuar uma pesquisa comparativa de preços. Isso vale para tudo, até mesmo a contratação de produtos e serviços financeiros, como cartão de crédito, financiamentos, etc.

  • Não atrase o pagamento de prestações e procure manter um histórico de crédito positivo. Na hora de financiar, isso lhe garante condições mais favoráveis.

  • Poupe regularmente, primeiro para montar uma reserva de emergência, e depois para garantir seu futuro.

  • Faça um planejamento fiscal dos seus investimentos.Separe os recursos de acordo com prazo de investimento de forma a reduzir a carga tributária incidente. A partir de janeiro de 2005, a alíquota de tributação na renda fixa e na previdência privada deve diminuir à medida que aumenta o prazo de investimento, exigindo uma separação dos recursos de curto e longo prazo.

  • Não contribua mais do que precisa para a Previdência Social. Ou seja, contribua apenas até o teto dos benefícios, qualquer quantia acima disto deve ser direcionada para a previdência privada. Aqui também é preciso cuidado, limite sua contribuição aos PGBLs e planos tradicionais ao teto de dedução permitido, o restante direcione aos VGBLs. Não se esqueça de se manter informado, pois conhecimento vale ouro. Se você acompanha o que está acontecendo ao seu redor, dificilmente tomará atitudes precipitadas ou emocionais na hora de investir!

    Educação financeira traz bons retornos

    Ainda que não exista no Brasil um estudo quantificando os benefícios da educação financeira, não é difícil entender os benefícios obtidos com ela. A manutenção de um bom histórico de crédito juntamente com o hábito de pesquisar as condições de financiamento oferecidas permite que a pessoa consiga se financiar a taxas mais baixas.

    Para se ter uma idéia do benefício financeiro, basta verificar a diferença entre a taxa cobrada em um empréstimo pessoal bancário (6,34% ao mês) e a taxa cobrada pelas financeiras (12,27% ao mês). O gasto adicional com juros para quem financia por 12 meses a quantia de R$ 1 mil através de uma financeira, ao invés de levantar um empréstimo bancário, é de R$ 503,00! Ou seja, mais da metade do valor financiado. Não é difícil ver que esta diferença tende a aumentar quanto maior a quantia financiada e o prazo do financiamento.

    A adoção de princípios básicos de planejamento e controle financeiro possibilita que você alcance mais rapidamente e sem gastar tanto alguns dos seus objetivos de consumo, assim como possibilita uma maior folga no orçamento, o que em última instância traz maior tranqüilidade à pessoa.

    Esta estabilidade emocional reduz a impulsividade das decisões de consumo e investimento. Neste contexto, pode se afirmar, sem qualquer sombra de dúvida, que o maior benefício da educação financeira é permitir que você tenha controle da sua situação financeira. Algo que efetivamente não tem preço!
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